Fuga de Talentos - Roberta Marquez  escrito em quinta 14 fevereiro 2008 02:09

A carioca Roberta Marquez, uma das estrelas do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é considerada o maior talento de sua geração.
No ano passado, ela recebeu o primeiro convite para dançar no exterior em uma produção do bale A Bela Adormecida, justamente no Royal Ballet de Londres, uma das maiores e mais tradicionais companhias do mundo.
Roberta, que tem 26 anos, já era considerada uma estrela do balé brasileiro, mas a temporada em Londres rendeu muitos frutos e ela foi chamada para ser uma das primeira-bailarinas do Royal Ballet. Ou seja, terá os papéis principais, dançará solos e terá mais destaque.

"Foi uma temporada muito boa, as críticas foram excelentes. Tive uma crítica ótima do Clement Crisp, crítico do Financial Times."

Convites

Ela conta que após os sucessos de sua primeira temporada recebeu vários convites, participou da temporada do Royal Ballet na Rússia e voltou a Londres para dançar Giselle.

"Depois do espetáculo, a diretora me disse que queria falar comigo. Eu não esperava um convite desses (para primeira-bailarina), achava que ela ia me convidar para mais uma temporada como bailarina convidada."

O convite, segundo Roberta, foi irrecusável e ela chega em setembro a Londres.
Fora raras exceções, como Marcia Haydée, considerada um mito da dança mundial, o Brasil não tem tradição de formar grandes bailarinos.O ballet ainda é visto como uma arte praticada pela elite e apresentada para a elite.Roberta Marquez espera que sua ida para o Royal Ballet mude esse tipo de visão e abra as portas do mercado de trabalho para bailarinos brasileiros no exterior.

Diferenças

Além de notar que há mais estudantes de balé de famílias com menos recursos, ela diz que os brasileiros não fariam feio numa companhia estrangeira, mas, segundo ela, ainda falta muita infra-estrutura para o balé no Brasil.

"O Royal tem uma estrutura maravilhosa. Os bailarinos têm sala de fisioterapia, de Pilates, é outro nível. E eles dançam o ano todo, com longas temporadas."

Já no Brasil, falta incentivo, faltam patrocínios, nunca há verbas, afirma Marquez.

"(No Brasil) a gente dança de três em três meses."

A diferença está aí, segundo Marquez. Os brasileiros são muito talentosos, mas não conseguem dançar com a freqüência necessária.
Após chegar à Inglaterra em setembro, Roberta Marquez começa imediatamente um esquema puxado de ensaios.

 
Fonte: BBC Brasil 

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Todos os comentários desse artigo:
Fuga de Talentos - Roberta Marquez

  • Gin Santos mailto

    Qui 29 Jan 2009 15:14

    Adorei o material que encontrei aqui. Estou terminando o meu TCC sobre ballet. Parabéns! Muito obrigado.