A carioca Roberta Marquez, uma das estrelas do Teatro Municipal
do Rio de Janeiro, é considerada o maior talento de sua
geração.
No ano passado, ela recebeu o primeiro convite para dançar
no exterior em uma produção do bale A Bela
Adormecida, justamente no Royal Ballet de Londres, uma das maiores
e mais tradicionais companhias do mundo.
Roberta, que tem 26 anos, já era considerada uma estrela do
balé brasileiro, mas a temporada em Londres rendeu muitos
frutos e ela foi chamada para ser uma das primeira-bailarinas do
Royal Ballet. Ou seja, terá os papéis principais,
dançará solos e terá mais destaque.
"Foi uma temporada muito boa, as críticas foram excelentes.
Tive uma crítica ótima do Clement Crisp,
crítico do Financial Times."
Convites
Ela conta que após os sucessos de sua primeira temporada
recebeu vários convites, participou da temporada do Royal
Ballet na Rússia e voltou a Londres para dançar
Giselle.
"Depois do espetáculo, a diretora me disse que queria falar
comigo. Eu não esperava um convite desses (para
primeira-bailarina), achava que ela ia me convidar para mais uma
temporada como bailarina convidada."
O convite, segundo Roberta, foi irrecusável e ela chega em
setembro a Londres.
Fora raras exceções, como Marcia Haydée,
considerada um mito da dança mundial, o Brasil não
tem tradição de formar grandes bailarinos.O ballet
ainda é visto como uma arte praticada pela elite e
apresentada para a elite.Roberta Marquez espera que sua ida para o
Royal Ballet mude esse tipo de visão e abra as portas do
mercado de trabalho para bailarinos brasileiros no exterior.
Diferenças
Além de notar que há mais estudantes de balé
de famílias com menos recursos, ela diz que os brasileiros
não fariam feio numa companhia estrangeira, mas, segundo
ela, ainda falta muita infra-estrutura para o balé no
Brasil.
"O Royal tem uma estrutura maravilhosa. Os bailarinos têm
sala de fisioterapia, de Pilates, é outro nível. E
eles dançam o ano todo, com longas temporadas."
Já no Brasil, falta incentivo, faltam patrocínios,
nunca há verbas, afirma Marquez.
"(No Brasil) a gente dança de três em três
meses."
A diferença está aí, segundo Marquez. Os
brasileiros são muito talentosos, mas não conseguem
dançar com a freqüência necessária.
Após chegar à Inglaterra em setembro, Roberta Marquez
começa imediatamente um esquema puxado de ensaios.
Fonte: BBC Brasil
Gin Santos
Qui 29 Jan 2009 15:14