"Bailarinos brasileiros são tão valorizados quanto os jogadores de futebol, por causa da técnica e da versatilidade. Afinal, quem dança samba aprende qualquer outro estilo, tem malemolência." (Jorge Teixeira)
O número de bailarinos brasileiros que saem do país para dançar em grandes companhias do exterior é cada vez maior. A falta de investimento do governo, o pequeno número de corpos de baile e de cargos disponíveis acentua ainda mais a necessidade de integrar grupos estrangeiros em prol de reconhecimento artístico e financeiro. O que fazer para mudar essa realidade?
O ensino da dança no Brasil é considerado um dos melhores do mundo, o que é um grande mérito visto que somos um país culturalmente jovem. Contamos com escolas tradicionais como a Estadual de Dança Maria Olenewa, no Rio de Janeiro, além da Municipal de Bailados de São Paulo. No ano de 2007 formou-se a primeira turma do Ballet Bolshoi de Joinville, que aliás é a única filial do Bolshoi fora da Rússia. Mas para onde vão todos esses talentos, muitas vezes revelados no nosso grandioso Festival de Dança de Joinville, considerado pelo Guiness Record como o maior festival de dança do mundo? Se pretendem continuar no país devem buscar entrar nas escassas companhias clássicas que possuímos, entre elas o Theatro Municipal do Rio de Janeiro é a única com grande renome.
A grande diva dessa companhia, Ana Botafogo, diz que nossos bailarinos "são muito bem vistos (no exterior). Nós temos um nivel maravilhoso, hoje em dia, o ensino é tão bom que temos ótimos profissionais. O que falta é campo de trabalho, o que faz ter um exôdo dos nossos bailarinos, temos muitos espalhados em companhias na Alemanha. As pessoas sabem quem são os bailarinos brasileiros".
A realidade parece estar mudando aos poucos. Após a formatura de sua primeira turma, a Escola do Ballet Bolshoi no Brasil abriu o seu primeiro corpo de baile jovem que conta já com cinco bailarinos formados na escola e agora prepara as audições para contratar outros membros. Mas ainda é pouco. A solução mais prática ainda vem sendo a fuga para os ballets europeus e norte-americanos na esperança de melhores oportunidades.

penha
Ter 24 Mar 2009 12:57